Artistas investem em moda sustentável e consciente

A consciência em relação ao consumo tem guiado alguns artistas que investem de forma paralela no mundo da moda. Segundo a pesquisa mais recente sobre o tema, da Agência de Notícias CNI, apesar de apenas 38% dos consumidores estarem preocupados com os impactos da produção sobre o meio ambiente, um em cada três brasileiros está disposto a pagar mais caro por um produto fabricado de maneira ambientalmente correta.

“É uma preocupação que tem ficado cada vez mais latente ao longo dos anos. O consumidor moderno, que é preocupado e engajado, não consegue mais ignorar a importância de marcas e produtos mais conscientes. Sou uma amante da natureza desde pequena, então minha preocupação com o meio ambiente é algo que ponho em prática na minha vida pessoal e, agora, na minha vida como empreendedora. Com o lançamento da Ginger, isso se concretizou de certa forma. Finalmente, poderia ter uma participação mais ativa nessa questão. Educação sobre reciclagem, reaproveitamento de recursos e consumo consciente são coisas que as pessoas podem praticar em casa”, explica Marina Ruy Barbosa, que no ano passado lançou sua marca Ginger.

O cuidado com a questão ambiental não está só no material de suas peças, mas também na etiqueta e nas embalagens que chegam nas casas dos consumidores.

“As etiquetas de papel semente fizeram parte de um estudo que fizemos antes do lançamento da marca, em que estávamos procurando por alternativas aos materiais tradicionais usados pela indústria. Foi aí que encontramos essa alternativa ecológica e reciclável – ficamos apaixonadas! Além dela, incorporamos outros elementos importantes: as etiquetas das roupas são feitas de fio reciclado e as nossas embalagens do e-commerce têm o respeitado selo eureciclo, que garante recompensação ambiental e gera incentivos para aumentar a taxa de reciclagem no país.”

Glória Pires

Gloria Pires, que teve a iniciativa de criar em 2019 a Bemglô, plataforma colaborativa que compartilha produtos sustentáveis feitos por artesãos, notou um aumento de interesse pelo tema após o começo da pandemia. Segundo o Ipsos, 85% dos brasileiros acreditam que a proteção do meio ambiente deve ser uma prioridade do governo no plano de recuperação do país pós-Covid-19.

“Quando resolvemos criar a BEMGLÔ com a Betty Prado e Orlando Morais, a ideia foi justamente trazer esse conceito de sustentabilidade que, desde os anos 90, tem sido fortemente, alertado. E isso fez com que a marca trouxesse ainda mais inspirações, consciência, informação e educação, integrado ao meu lifestyle. Durante essa pandemia isso só fortaleceu a necessidade de nos conscientizarmos em relação ao consumo e os impactos gerados pela produção irresponsável do homem. O lixo nunca vai ser o lixo, ele sempre vai parar em algum lugar, não existe ‘fora’ e nem planeta B”, avalia ela, que em casa não usa saquinhos plásticos, utiliza produtos de limpeza naturais e é adepta de outras práticas menos poluentes.

A atriz acredita que é fundamental descomplicar o tema sustentabilidade e conscientizar o consumidor com exemplos práticos.

“O caminho da sustentabilidade é muito complexo, principalmente porque somos um comércio, então nesse sentido, buscamos trabalhar com impacto positivo e fomentar a economia circular e afetiva. Já tivemos a nossa grande parceria com a Rede Asta, desde então seguimos ampliando nossa curadoria e parceiros. A Bemglô nos trouxe a certeza de que a única saída para o futuro é agir de forma coletiva e colaborativa. E isso se tornar um desafio diário até pra gente que tem caminhado, divulgando e comercializando produtos que são frutos de upcycling, de práticas sustentáveis e atuando no empoderamento de grupos espalhados por todo o Brasil – verdadeiros artistas. E isso é um desafio pra marca.”

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